Category: lula

January 29th, 2016 by Ma Vit
Você está calmamente seguindo com o seu dia quando, não mais que de repente, aquele conjunto de acordes vindos do nono círculo do inferno martelam seus tímpanos. E pronto. Acabou. Uma tranqueira que alguns chamam de música, mas é na verdade o sussurro do tinhoso, não sai mais da sua cabeça, e a cada cinco minutos você se flagra cantarolando: lá, lá, lá… o fio de cabelo… lá, lá, lá.
Aconteceu comigo. Conformado, sigo percorrendo a via crucis musical da minha vida certo que a situação não pode piorar. Mas que o quê, inocente! Chega o sujeito que se diz meu amigo, apesar de ser um Filho da Gota, e resolve apimentar a situação me apresentando um treco que parece trilha sonora de swing no canil e atende pelo nome de “Rasga a Tanga”.
Em tempos de “Japonês da Federal”, achei que devia ser alguma marchinha de carnaval sobre o Lula doidão chegando no apê do Guarujá e rasgando a sunguinha fio dental…
-Não,seu desculturado pop! É uma música antiga e chama Ragatanga! Não é possível que você não conh…
Não adianta, o parido pelo cão pode dizer o que for que não escuto mais nada e me encontro tomado pelo pânico de ter visualizado o Molusco possuído pelo ritmo ragatanga, só de meia social e pochete, de mãos dadas com a Dilma e dando um mergulho barrigada na piscina do triplexxx com a tanguinha de crochê em farrapos boiando na água.
E o medo que essa imagem me assombre eternamente?!
Enfim, depois de muito meditar, encontrei apenas uma maneira de expurgar essa maldição audiovisual da minha mente: no dia 13 de março irei às ruas exigir o cumprimento da constituição e apoiar a lava jato, como outras centenas de milhares de pessoas.
Agora, se você não puder ir porque estará ocupado ocupando o sofá, por exemplo, quero dizer que entendo, mas peço que faça apenas uma coisa por todos os outros brasileiros: feche os olhos e visualize o Lula peladão. Você merece.

 

 

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January 11th, 2016 by Ma Vit

Conforme já escrevi aqui em mais de uma oportunidade (leia Dias Toffoli e a história de seus 30 anos de STF e Gilmar Mendes escancara bolivarização do STF), Dias Toffoli começa a dar sinais de independência em relação ao petismo. Artigo publicado no Estadão informa que Lula, Dilma e cia amestrada são “um pote até aqui de mágoas” com algumas decisões e posturas do ministro e, como não costumam levar desaforo para casa, já iniciaram o processo de fritura. No Brasil é assim, um juiz torna-se inimigo (do lulo petismo, não da população, claro) se praticar o absurdo de ler a lei aplicá-la de forma clara.

Rancoroso
Como sempre fazem, tentam colar no adversário alguma característica humana que possa ser considerada negativa. No caso de Toffoli, ele seria rancoroso. Segundo governistas, o ministro não gosta de Dilma desde 2005. Era subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil e foi exonerado por Dilma quando esta assumiu a pasta.

Julgamento no Tribunal Superior Eleitoral
O problema maior do planalto é que Toffoli ocupa a presidencia do Tribunal Superior Eleitoral até a metade do ano e, mais importante!, durante o julgamento das contas da campanha Dilma/2014, aquela que foi abastecido com dinheiro do petrolão, como a lava jato já deixou claro mais de uma vez.

É grande o temor que com Toffoli e Gilmar Mendes no plenário do TSE as contas sejam reprovadas e a chapa Dilma/Temer cassada, o que provocaria a convocação de novas eleições em um momento que Lula, o único candidato “natural” do petismo, vê sua aura de magia e seus votos desaparecerem.

Histórico
Pelo histórico, reproduzo alguns dos incidentes listados pelo jornal:

  • Toffoli teria se aproximado de Gilmar Mendes “Por sugestão de Gilmar, Toffoli mudou da 1.ª para a 2.ª Turma do STF, colegiado responsável pelos processos da Lava Jato. A transferência engessou o Planalto, que perdeu a chance de indicar um nome para compor a turma que julgaria os casos relacionados à corrupção na Petrobrás.” [Estadão]
  • O Planalto também atribui a Toffoli um imbróglio diplomático com a Venezuela. Em outubro, ele suspendeu a participação do TSE na comissão da União das Nações Sul-americanas (Unasul), que acompanharia as eleições parlamentares no país, em dezembro. A justificativa foi a de que a Unasul rejeitara o nome do ex-ministro Nelson Jobim para chefiar a missão.
  • Na análise do rito de impeachment, em dezembro, Toffoli afirmou: “Se um presidente não tem apoio de 1/3 dos deputados, fica difícil a governabilidade”.
  • No PT, a mágoa com Toffoli teve início já no julgamento do mensalão, em 2012. Apesar de absolver Dirceu, com quem trabalhou, o ministro condenou o ex-presidente do partido José Genoino.

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January 10th, 2016 by Ma Vit

Segundo a folha de São Paulo, Lula “aconselhou” Dilma a oferecer uma trégua a Michel Temer. A cenourinha para atrair o vice seriam alguns dos pontos do projeto PMDBista”Uma ponte para o futuro”, encabeçado por Temer

O VP só aceitará se for trouxa. Explico.

  1. Lula não sugeriria algo do gênero se acreditasse que:
    • a) não há mais possibilidade de impeachment;
    • b) ou que haveria condições mínimas de governabilidade caso Dilma consiga se manter;
  2. Se viu traido das duas últimas duas vezes que “confiou” em Dilma.
    • a) enviou uma carta “pessoal” que foi divulgada para a imprensa. Claro que ele sabia que seria vazada, mas esse é justamente o ponto: sempre se pode contar com a facada nas contas de Dilma e cia;
    • b) no acerto anterior de trégua, viu os petistas romperem o pacto no dia seguinte com a tentativa de realocar Leonardo Picciani à liderança do PMDB na câmara;

 


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January 7th, 2016 by Ma Vit

Nem nos tempos das vacas gordas do lulo petismo a Folha esteve tão em “sintonia” com esse pessoal. Provavelmente querendo fazer graça, a coluna Painel revelou que para Lula o dinheiro vale mais que a liberdade. Leiam o que foi publicado:

Durante o segundo mandato do ex-presidente Lula, um de seus ministros buscava um jeito de reclamar dos constantes elogios do petista a Hugo Chávez, então presidente da Venezuela.
O apoio quase irrestrito do chefe ao polêmico e falastrão mandatário incomodava há tempos o auxiliar, que então se encheu de coragem e afirmou:
— Presidente, desse jeito vai ficar muito difícil defender o senhor — disse o ministro, sorrindo.
Lula retribuiu o sorriso e respondeu sem piscar:
— Meu caro, no dia que outro parceiro render US$ 5 bilhões em divisas, aí eu paro de elogiar o Chávez.


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August 17th, 2015 by Marcos V.

Gente pra dedéu!

Bem que cabeças pensantes em Brasília e São Bernardo/SP tentaram. Espalharam por aí que havia uma recuperação da imagem da presidente. Afinal, ela entregou casas em São Luiz/MA e a claquete contratada aplaudiu muito. Estava tudo indo bem, até que aconteceu isso aí embaixo:

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Manifestação #foraDilma, #foraLula e #foraPT na avenida paulista em 16/08/2015

E isso:

Manifestante em Brasília (16/08/2015): #foraDilma, #foraLula e #fora PT

Manifestante em Brasília (16/08/2015): #foraDilma, #foraLula e #fora PT

E em tantas outras imagens  que transformariam esse espaço em um album de fotos da decadência lulo-petista. Que gente inconveniente! Logo agora quando, na avaliação de alguns sábios, tudo começava a melhorar.

 

“Gente pra dedéu” 3 vezes

Escrevi ontem que julgava indiferente se houvesse mais ou menos pessoas que nas últimas manifestações. Em março deste ano houve um fenômeno que dificilmente será repetido, mas a capacidade de a população se arregimentar por uma causa três vezes em menos de seis meses (março, abril e agora em agosto) é que deve ser notada. Não há mais tolerância com essa gente, o que parece ficar nítido a cada evento como o de hoje. E ainda que a descrença nos políticos em geral seja muito forte, esse som das ruas é sim capaz de mexer com algumas “fidelidades” espalhadas pelo planalto central.

 

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August 15th, 2015 by Marcos V.

Há cinco anos esse blog possuia algumas centenas de visitas por dia. Perto do milhar, na verdade. Pode parecer um resultado modesto, mas para uma iniciativa totalmente independente, sem parceria com qualquer portal ou coisa do gênero, eu consideraria um bom resultado.

Sempre foi, é e será um blog de opinião independente e determinadamente pró-democracia. Não há nada aqui relativo a outros interesses (comercial, ideológico, …) que se sobreponha a uma análise dos fatos e sua ligação com a forma mais participativa de exercício da cidadania.

Pois bem, mesmo quando o lulopetismo nadava de braçada no apoio popular, insisti em apontar sua afronta ao básico da democracia (à época: mensalão, uso indevido de cartões corporativos por altas figuras da república dos companheiros, etc…). Ah, então voltou agora para chafurdar? Não! O retorno é para ajudar na árdua tarefa (não terminada!) de sepultar o populismo, seja na figura do messias de Garanhuns, seja o próximo que surgir. E como em uma profecia: ele(a) virá! Estejamos todos certos disso.

Neste domingo, 16 de agosto de 2015, haverá manifestações para pressionar a nossa estimada classe política a tomar as atitudes necessárias para interromper esse ciclo de ataques às insituições e à democracia em si, que constituem um ataque à liberdade cada indivíduo. Se haverá 100, 100 mil, 1 milhão ou dez milhões de pessoas, isso não sei. Mas posso afirmar que “haverei” um. Quem sabe não nós encontramos por lá, seja qual for a sua cidade.

Liberdade, Liberdade, abriremos nossas asas para te proteger.

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November 11th, 2010 by Marcos V.

A senadora Kátia Abreu possui um mérito raro no cenário político brasileiro: defende suas posições. E, justamente por ter postura, foi uma voz quase solitária na oposição ao lulo-petismo. Como bem sabem os Mercadantes e Patruses Ananias da vida, quem adere ao lulismo abdica de possuir opinião própria. Não tenho dúvida que se houver de fato investigação dos acontecimentos desses últimos anos, os oposicionistas de fato colherão os frutos da sua coragem.

Vale muito a leitura da entrevista concedida pela senadora à Folha de São Paulo. Uma análise bastante clara da relação entre agronegócio e preservação ambiental, do cenário político e da interpretação dos fatos pela população.

Na Folha de São Paulo

Otimista com Dilma Rousseff, mas firme na oposição. Assim se descreve a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Eduardo Anizelli/Folhapress

“Dilma passou por dissabores por não conseguir unir a burocracia ambiental à realização das obras do PAC”, afirma Abreu, 48.

Em entrevista, ela diz que o PT perdeu em várias regiões onde o agronegócio é forte “porque tivemos a maior insegurança jurídica nesses oito anos” e reclama que falta estratégia para deixar o campo mais produtivo, mas “sobra ideologia”. E afirma que a CNA não é contraponto ao MST. “O contraponto ao MST é a Constituição.”

DISSABORES DE DILMA

A presidente eleita Dilma Rousseff teve dissabores imensos com relação à questão ambiental na execução das obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Então, ela tem a experiência, além da teoria, ela conhece as mesmas dificuldades que temos no setor rural. Tanto eu, quanto a Dilma e todos os brasileiros se preocupam com o meio ambiente. Isso não é uma reserva de mercado e nem um patrimônio exclusivo da ex-ministra [do Meio Ambiente] Marina Silva. É o mesmo que discutir a Lei da Gravidade. Eu sou contra e você é a favor da Lei da Gravidade? Então, eu acredito que Dilma, por essas experiência negativa de não conseguir compatibilizar a preservação com a execução das obras, poderá trazer à luz um debate com mais bom senso e racionalidade e buscar, repito, a ciência.

FREIO À GASTANÇA

Espero que Dilma implemente uma política econômica de diminuição de gastos públicos. Ela tem a grande chance de dar uma freada na gastança pública.

Se nós estivéssemos promovendo uma gastança pública que trouxesse melhorias para a população, ninguém aqui precisava dizer nada.

A minha filha, que tem 22 anos, sempre me pergunta: mãe, por que o imposto no Brasil é tão caro e tudo é tão ruim?

A saúde não tem qualidade. Os patrões, apesar de pagarem seus impostos e os trabalhadores, quando adoecem se o patrão não der uma força, uma mão, passam dificuldade. Um exame de papanicolau, o mais simples possível, leva de oito meses a um ano para dar o resultado para uma mulher.

Educação está aí. O PNUD com os resultados terríveis com a mudança de cálculo. O PNUD colocou a educação no Brasil como o principal fator para a pobreza.

A Segurança está aí. Acabei de ver o “Tropa de Elite 2″, que demonstra bem a realidade brasileira. Então, os serviços essenciais são de baixa qualidade e uma taxa tributária alta. Isso só vai ter conserto se a gastança pública diminuir. Outra mágica não existe.

ARROCHO POPULAR

Espero que Dilma possa trazer um arrocho fiscal saudável para o Brasil, inclusive, com medidas populares. Nesse quesito quero dizer que votarei a favor. Votarei com ela. Porque eu não estarei votando no governo. Estarei votando pela preservação das instituições, de uma situação econômica regular e tranquila. Não tenho nenhuma dificuldade em estar junto numa votação dessa, ao mesmo tempo que não terei nenhuma dificuldade para votar contra a CPMF.

DEMÔNIOS

Agora, precisa dar praticidade e parar de demonizar essa situação. “Ou você pensa como nós ou você é um demônio.” “Ou você é contra a Amazônia ou você é contra o meio ambiente.” Essa ditadura ideológica precisa ter um fim. Meio ambiente é um assunto a ser discutido democraticamente. Claro que totalmente embasado na ciência. A gente não tem como fugir desse embasamento científico. Dá tranquilidade a todos nós.

PRAGAS E EROSÃO

Quem é que quer produzir arroz de altíssima qualidade, cometendo crime ambiental, sabendo que vai trazer prejuízos ao país e à sua propriedade rural? Não conheço ninguém que produz sem água. A erosão baixa a produtividade. Se você não tiver o equilíbrio na biodiversidade as pragas vêm arrasadoramente tanto na produção de grãos quanto nas doenças dos animais. Então, é muito engraçado colocar o produtor contra o meio ambiente, porque nós vivemos dele mais do que qualquer um, porque dói no bolso, que é o órgão mais sensível.

NOVO MINISTRO

A CNA [Conferação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil] nunca foi ouvida com relação a nenhum ministro em nenhum governo. E, ao mesmo tempo, sempre tivemos um ótimo relacionamento com todos os ministros, especialmente, no governo Lula. Roberto Rodrigues [da Agricultura] e Reinhold Stephanes [ex-ministro da pasta] frequentavam, como se diz na expressão popular, de dentro da nossa casa, nós trabalhávamos juntos, eles tiveram todo apoio da CNA. A única coisa que nós não gostaríamos de ver no Ministério da Agricultura é o óbvio, alguém que não defendesse a produção.

CHEFE DE TORCIDA

Na Inglaterra, o Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente é um só, inclusive, com o mesmo ministro. Se aqui no Brasil nós pedíssemos uma situação dessas seria a execração total, imaginar que nós queríamos destruir o Ministério do Meio Ambiente e não o da Agricultura, com a união dos dois, mas para dizer que no ministério, em qualquer ministério do Brasil, nós não podemos permitir que tenha representante de classes nos ministérios.

Representantes de classe: não me roube meu papel, esse é meu. Assim como as pessoas que presidem as ONGs, as ambientalistas, representam uma ideia, representam uma bandeira, cada um na sua.

Ministro de Estado não pode ser chefe de torcida nem dos ruralista e nem dos ambientalistas. Ele precisa pensar no país, no Estado Brasileiro e fazer com que as coisas possam acontecer de forma republicana, vendo os interesses do país.

É impossível que o ministro do Meio Ambiente não conviva com o ministro da Agricultura. Os dois precisam pensar juntos o país. Por isso a Inglaterra colocou as duas ações num ministério só, porque não vê incompatibilidade. Como ficar fora o Ministério do Meio Ambiente sem discutir a produção?

Eu repito: nós queremos fazer as coisas corretas. Nós não queremos fazer nada errado pelo lucro e pelo plantio. Nós temos áreas de sobra para fazer produção no lugar certo e preservar o meio ambiente, onde for preciso nas áreas precisas.

CLAREZA DE MARINA

Não acredito que a votação de Marina Silva tenha sido por uma questão ambiental. A Marina teve, diferentemente dos outros candidatos, uma maior clareza nas suas ideias. Eu gosto muito de citar a primeira Carta de Paulo aos Coríntios, ele diz assim: “O som da flauta tem que ser de flauta e assim sucessivamente, dos outros instrumentos, da cítara, tem que ser de cítara”.

Então, a Marina teve o som da flauta, não teve ambiguidade no seu discurso. É o que eu procuro fazer: o som da minha flauta é de flauta. Eu toco flauta. Não toco cítara. Quem toca cítara é quem pensa diferente de mim.

Esta clareza é muito importante no debate político. Quando você leva para um debate político, você é de direita ou esquerda. É a soberba absoluta de candidatos que imaginam que a população vive em função dela ou em função de conceitos filosóficos.

A população sequer sabe ou compreende. É porque não quer entender. Se ela quisesse entender, ela entenderia. É porque não faz parte das suas vidas, não faz parte dos seus interesses, não faz parte da sua luta.

A sua luta é a luz e a água no final do mês, é a escola do seu filho paga, é ter saúde decente. Está lá preocupada o que é esquerda, o que é direita. Quem do eleitorado brasileiro perguntou isso? Qual eleitor perguntou para o candidato: candidato Serra o senhor é direita ou esquerda? E isso virou uma polêmica, como se fosse a coisa mais importante do Brasil. Ou você é liberal ou neoliberal?

Chega a ser ridículo esses conceitos. A Marina saiu de tudo isso dando um exemplo, ela falou tudo isso. Não significa que tudo o que ela defende é o que eu defendo, mas eu tenho que reconhecer que ela teve clareza, principalmente, em princípios que a população brasileira acredita.

MARINA CONSERVADORA

A população brasileira é religiosa. A sua grande maioria é católica, se não for católica é evangélica, se não for evangélica é espírita. E, normalmente, as pessoas que possuem religião, são pessoas controladoras em seus princípios. Não significa que não mude com a evolução da humanidade, da ciência, mas aquilo que é, aquilo que faz parte e fundamenta os seus princípios.

A Marina se mostrou apesar de dita de esquerda, com princípios conservadores e isso agradou a população. Então, a presidente Dilma, em alguns momentos ou em vários momentos, tentou contradizer pontos que ela tinha dito no passado, como o caso do aborto, como o caso da invasão de terra. O Serra, em muitos momentos, não teve clareza com relação a esses princípios e a essas ideias, que virou pauta, ninguém tem culpa disso, virou uma pauta de eleição. Filosoficamente, pode estar errado, o conteúdo programático pode estar errado, a população quer saber, ela tem o direito de ouvir.

DIREITA/ESQUERDA

Tanto o candidato Serra quanto a candidata Dilma discutiram assuntos que não dizem respeito à sociedade. A sociedade não estava interessada em direita, esquerda, neoliberal. Faça pesquisa popular para ver se alguém se interessa por esses temas, do que é liberal ou neoliberal. O que é direita, o que é esquerda.

RURAL VS. URBANO

Não pode persistir um direito à prioridade urbana, mas um não direito à propriedade rural. O direito à propriedade é um só, está na Constituição e precisa ser respeitado. Há concentração no setor de supermercados, há no setor de bancos, mas parece que só a grande propriedade rural é vilã.

BNDES

Não é a escolha de grandes conglomerados de carnes que vai deixar a economia mais competitiva e nisso sou crítica [o banco injetou recursos em frigoríficos como Marfrig e JBS para financiar aquisições]. É o investimento em pesquisa e em tecnologia que vai nos dar mais produtividade. Quando vejo o anúncio desses grandes créditos, sempre penso como foi a escolha dos preferidos e quem são os excluídos de quem tem acesso ao crédito. Quando comparo os investimentos em educação e pesquisa de China e Coreia com os do Brasil, vemos o quanto precisávamos investir nessa área.

REFORMA AGRÁRIA

Não podemos debater o crime, que são as invasões. Podemos discutir o que é melhor, aonde há produtividade, porque os assentamentos são pouco produtivos. O menor não é o melhor. Você precisa ter renda alta, você não transfere renda com patrimônio.

Estamos concluindo um estudo com a FGV que demonstra que 70% do valor bruto da produção no país está em 4,5% das propriedades rurais. Só que o Censo Agropecuário de 2006 demorou quatro anos para ser divulgado e, como o IBGE foi aparelhado, querem fazer crer que é a pequena propriedade a mais produtiva. A grande massa das propridades rurais, 1,5 milhão delas no país, não tem renda nenhuma.

POLÍTICA AGRÍCOLA

O que precisamos é de portos, estradas, trens e aeroportos eficientes, qualificação da mão de obra. As grandes propriedades rurais se autoprotegem e conseguem financiamento da iniciativa privada. As propriedades menores precisam de acesso ao crédito, logística.

Uma propriedade grande vai vender uma caixa de laranjas a US$ 3 porque teve acesso aos melhores defensivos, adubos, técnicas; a propriedade menor, no mesmo espaço, só vai conseguir vender essa caixa a US$ 5.

GERGELIM LUCRATIVO

O Brasil precisa importar 80% do gergelim que consome e é um produto de nicho, com margem de lucro alto. A pequena propriedade rural deveria se dedicar a esses produtos de nicho, a partir de pesquisa de mercado. Se você produzir soja em 50 hectares, você dificilmente terá lucro. Comida de pobre tem que ser produzida por rico, com muita terra; o pobre, se produzir comida de rico, lucra.

ITAMARATY

Nossa diplomacia tem sua competência, mas faltou prioridade para se promover o produto brasileiro no exterior. Crescemos na Ásia e minguamos na Europa. Por que não conseguimos manter os dois mercados grandes? Depois de dez anos de promessas, as embaixadas brasileiras receberam adidos agrícolas, mas eles são tratados como a quinta categoria das embaixadas, sem a menor importância, quando deveriam ser os juízes de pequenas causas que socorrem exportadores e desembaraçam a burocracia.

LEIS RELATIVIZADAS

O governo brasileiro deveria ter uma legislação mais clara quanto ao chamado trabalho escravo. No mundo, há o conceito de “trabalho forçado”, aqui aumentamos e há a relativização das leis disfarçada de bandeira social. Elas não servem apenas para defender o trabalhador, mas para também punir o patrão rural. É ideológico. Por que não tem trabalho escravo na pequena propriedade?

VOTO RURAL

José Serra venceu em vários Estados e regiões onde o agronegócio é mais forte. Não somos apenas arroz e feijão, há uma cadeia grande de produção que viveu na maior insegurança jurídica da história nos últimos oito anos. A CNA não é contraponto ao MST. O contraponto ao MST é a Constituição.

TERRA PARA ESTRANGEIRO

Não dá para barrar chinês que quiser comprar terras no Brasil. Tem contrato de gaveta, laranjas, a lei pode ser burlada. O que precisamos saber é o que eles farão aqui e se podemos competir com eles. É o que acompanha as discussões sobre o conteúdo nacional. Por que não damos condições ao produtor local para competir? Geramos empregos lá fora porque aqui cobramos 40% de carga tributária. Se o brasileiro fizer um produto pior ou não conseguir competir, tudo bem, mas as condições têm quer similares.

CÂMBIO

O câmbio afeta muito a agricultura. Os Estados Unidos não têm outra opção a não ser despejar dólares para reanimar sua economia, e o Brasil apoia a China, que mantém sua moeda desvalorizada artificialmente. A indústria brasileira e também o produtor primário sofrem com essa competição chinesa. Mas a única maneira de reduzirmos os juros para que menos dólares venham para cá é com uma política fiscal mais austera, com um forte corte no gasto público.

OPOSIÇÃO FIRME

Resultado das urnas para mim é missão. O político tem o risco de ganhar e perder. Eu adoro ser política, amo isso, e a oposição precisa aguentar firme, fazer o seu papel. O Serra excluiu os aliados, não teve lideranças do DEM, não teve o Bornhausen [Jorge Bornhausen, ex-senador e ex-presidente do DEM], ele tentou fazer tudo sozinho. E como você vai criar ilusões sozinho? O DEM precisa ter candidato próprio em 2014.

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November 7th, 2010 by Marcos V.

Entrevista com o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB) sobre o papel do partido nesse terceiro mandato petista.

No Estadão.

Como será a oposição no terceiro governo seguido do PT. Será mais forte, mais fraca?
Oposição tem de fazer o papel de oposição. Quem perde a eleição fica fora do governo, analisa o governo. Nós não temos nada a ver com o passado velho, do velho PT contra tudo e contra todos. Podia ser a melhor coisa ou a pior coisa para o povo que eles iam ser contra. Vamos fazer diferente. Não pensamos assim. Fui líder e vice-líder da oposição no primeiro governo Lula na Câmara. E teve várias matérias que ajudamos o governo a aprovar. Matéria muito específica sobre legislação de florestas. Que tinha a (ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata do PV) Marina, ela se empenhou muito para fazer. Eu que ajudei a provar. Eram matérias que a gente achava corretas. Aquilo que a gente acha que não está correto tem de se opor mesmo. Se opor com toda combatividade. Não é fazer de conta. Não é meio termo.

Essa responsabilidade da oposição pode facilitar uma coalizão com o governo federal?
Não tem nada de coalizão. Oposição é para fazer oposição. O povo determinou que você fizesse oposição, que não fosse governo. Isso não significa que o povo quer que a gente aja ao contrário dos interesses do País.

O PSDB de São Paulo sai enfraquecido desse pleito?
Não. Há um certo tempo o PSDB de São Paulo não elegia um senador. Agora elegeu um senador, elegeu o governador. Teve maioria dos votos para a Presidência da República em São Paulo. Aqui ganhamos todas. O que vamos querer mais? Em São Paulo fizemos toda a lição de casa.

Mesmo com Aécio Neves despontando como nome forte do PSDB para 2014?
O PSDB de São Paulo ganhou a eleição nos dois níveis (para o governo do Estado e para o Senado). O PSDB de Minas ganhou a eleição nos dois níveis. Como aqui, Minas ganhou o governo do Estado e fez um senador. E na coligação fez outro senador, que foi o Itamar Franco. O governo de Minas também saiu vitorioso. O PSDB do Paraná também saiu vitorioso. Se você começar a diferenciar por Estado, você não chega a lugar nenhum. Aqui é um País. Um País único. O partido é nacional. Tem mais força aqui, menos força ali por questões regionais. Mas é um partido nacional. O PSDB tem hoje sua maior força, é verdade, nas áreas de concentração onde você tem o maior volume de pessoas. Somos majoritários em quase 60% do eleitorado nacional. Fomos majoritários na maioria das capitais. De 27 capitais elegemos 14. Elegemos todas as capitais do Sudeste e do Sul, menos o Rio de Janeiro. Temos presença forte no PIB nacional. Ganhamos as eleições nos Estados que representam 60% do PIB nacional. É um partido forte.

Há fragilidades, onde?
Sim, ele tem suas fragilidades. Tem áreas onde é muito frágil, como junto às pessoas mais simples, mais humildes e carentes. Nós perdemos (a eleição) onde vivem as pessoas mais humildes.

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